"Alfinetes do Sono"
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Adormecer alfinetes sobre a palma das mãos
enquanto as almofadas de linho e algodão
descansam ao sol de Inverno na praia;
tomar como verdadeiras as memórias
com que me embalaste no berço de madeira
cortada à mais de um século.
nada disso pareceria tão cruel
se a pele não tivesse sido perfurada
e o descanso tranquilo
não tivesse sido interrompido.
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As ondas invertem o sentido.
As almofadas despiram-se de preconceitos
e mergulharam nas água geladas,
embora se saiba que nem assim
tudo se apagar da minha mente.
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As marcas nas mãos não cicatrizam,
como a espuma não fica na areia depois da onda
partir para sempre e nunca mais se repetir.
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são estes alfinetes de dor
que me caem dos olhos
que me mostram que a vida sem luz
é um quadro sem fundo
onde a raíz das palavras
não pode medir o sono,
nem os alfinetes podem dormir
porque nunca acordaram.
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